Decorrente do facto de não dispormos de tratamento médico definitivo para a artrose, a evolução natural desta doença leva como já houve oportunidade de se afirmar, à deterioração de toda a articulação e em particular das suas superficies de deslizamento, indispensáveis para o desenvolvimento do movimento e consequentemente para a função articular.

A perda de mobilidade de uma articulação e a sua deformação comprometem sériamente o doente, no desenvolvimento da sua vida do dia a dia. Ao mesmo tempo a inflamação que acompanha sempre a destruição articular é a responsavel pelo aparecimento da dôr, elemento determinante no agravamento do sofrimento e incapacidade funcional.

O objectivo da cirurgia, no tratamento dos casos mais avançados de artrose é o de restabelecer a forma da articulação, devolver-lhe a estabilidade e a mobilidade e suprimir ao máximo a dor.

Nos últimos trinta anos , e em particular a nivel da anca e do joelho, o desenvolvimento de implantes artificiais - proteses - com aquele objectivo, é sem dúvida o avanço cirurgico, mais notável do século XX , na área da cirurgia ortopédica.

Em principio, nestas articulações qualquer grau significativo de destruição articular, deformação e perda de mobilidade, pode ser corrigido cirurgicamente de modo eficiente, com consequente reposição da morfologia e biomecânica.

A substituição das superficies articulares por implantes artificiais , é designada por artroplastia.

Na anca, as superficies articulares em presença, são por parte do fémur ( osso da coxa ) uma esfera de mais ou menos 48 mm de diâmetro, revestida de cartilagem e por parte da bacia uma concavidade esférica também revestida por cartilagem e com a função e medidas adequadas para receber a cabeça femural, que nela se aloja. A sua geometria permite-lhe amplitude de movimento de 360º.

A destruição da cartilagem e lesões associadas, provocadas pela artrose, deforma drásticamente a referida esfera " cabeça do fémur " bem assim como a cavidade " acetábulo " onde esta se aloja, a tal ponto que se perde a congruência e a possibilidade de movimento. O sofrimento passa a ser uma constante para o doente.

Por isso a solução cirurgica surge como a unica possibilidade de restabelecimento da forma e mecânica ( biomecânica ) da articulação.

Para a realização da artroplastia da anca, - aplicação de protese - o cirurgião ortopédico procede à remoção total das superficies deterioradas, bem como das estruturas periféricas comprometidas. Depois e após uma preparação adequada da extermidade superior do fémur e da bacia, fixa no primeiro um componente constituído por uma haste e uma esfera metálica e no segundo um componente semi-esférico concavo em polietileno ou em liga metálica.

Do adequado encaixe destes dois componentes passa a depender a restauração da mobilidade e da função da anca.

Para a realização desta intervenção cirurgica e decorrente da técnica e dos materiais utilizados, o doente necessita apenas manter-se internado durante um curto período, que é de cinco dias em média.

A utilização da autotransfusão - utilização do sangue do próprio doente - recuperado durante o decurso e no final da intervenção cirurgica, por sofisticada máquina de processamento contínuo ( C.A.T.S. ), proporciona ao doente uma garantia acrescida de qualidade do acto operatório, pela redução dos riscos.

Todo o programa de recuperação e readaptação funcional subsequente é efectuado normalmente em casa ou a partir de casa e a retoma da actividade normal do doente acontece entre os 2 e os 4 meses.

A excelência dos resultados é tão gratificante e encorajante, que é do conhecimento geral a existência de longas listas de espera, em práticamente todos os hospitais nacionais e estrangeiros, que disponibilizam este tipo de cirurgia reconstrutiva.

De todas as grandes articulações, o joelho é sem dúvida a mais complexa na sua forma e também a mais desprotegida, com consequente vulnerabilidade acrescida.

No joelho podemos considerar duas áreas articulares, sendo uma entre o fémur e a tibia e a outra entre a rótula e o fémur. Da normal congruência das duas e da integridade dos ligamentos satélites, resulta a harmonia do movimento e a eficiência da função.

 A artrose ao comprometer estas  áreas articulares, bem como as  estruturas ligamentares periféricas  que as estabilizam, em grau  significativo, determina um  compromisso maior ou menor na função articular.

 O doente deixa de conseguir mobilizar o seu joelho com toda a amplitude e  a dôr e deformação associadas, obrigam-no a coxear quase que permanentemente.

Assim e tal como já se referiu para a anca, a solução que o cirurgião ortopédico disponibiliza é em definitivo a substituição das áreas articulares destruidas, por implantes - peças artificiais - metálicos e em polietileno, de modo a repor a forma e alinhamento da articulação e a devolver-lhe de novo a amplitude do movimento.

A protese do joelho, designação do conjunto das peças metálicas que se utilizam, após conveniente preparação da extremidade distal do fémur e proximal da tibia, bem como da rotula, é fixada por encaixe, de modo tão preciso, que o restabelecimento da forma da articulação, práticamente se atinge.

Para cada situação clinica de artrose do joelho, há um tipo de protese adequado. O cirurgião ortopédico, dispõe hoje de um conjunto de soluções de modo a poder reconstituir com eficiência os mais complexos problemas de desarranjo articular.

Tal como para a anca, o período de internamento hospitalar para a realização de uma prótese do joelho, é hoje bastante reduzido e em média anda pelos 6 dias.

A retoma normal da marcha é bastante precoce, pois que o desaparecimento das queixas dolorosas e a eficiência da amplitude da flexão e extensão, assim o permite, normalmente entre o segundo e terceiro mês de pós-operatório.








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Última alteração a 02-03-17